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Auditórios lotados, um “sacerdote motivacional”, fervorosos seguidores desses ensinamentos. Retrato comum nos dias de hoje, especialmente no mundo corporativo e empreendedor.

Muito mais que crenças limitantes, o que limita um indivíduo é essa visão irreal e reducionista da motivação e do desenvolvimento humano. Afinal de contas, é possível motivar pessoas ou não?

A motivação é entendida como um motivo que sustenta uma ação e a direciona para algum objetivo ou tarefa específica. Sabe-se que as bases do conceito surgiram através de trabalhos como o de Abraham Maslow (década de 40 e 50) e posteriormente outros pesquisadores, como Mihaly Csikszentmihalyi e sua teoria do Flow, que trouxeram ainda mais descobertas sobre este fenômeno humano.

Mais recentemente, professores como Daniel Pink trazem a noção científica sobre o conceito, demonstrando que existe uma grande diferença em como as empresas aplicam esse conceito e como a ciência entende e explica a motivação humana. Especialmente, este último fala da importância do motivação intrínseca, a qual não pode ser injetada nas pessoas com uma seringa ou remédio, mas apenas estimulada.

Boa parte da falácia motivacional reside na ideia fixa de que podemos motivar alguém através de imagens, discursos e fatores criados artificialmente para suprir uma necessidade existente no interior de cada um.

O que sabemos é que a motivação pode ser dividida em extrínseca e intrínseca.

A primeira relaciona-se a motivadores externos, ou seja, fazer algo para agradar a sociedade ou determinada pessoa. Já a motivação intrínseca conecta-se intimamente com nossa essência e nosso bem-estar autêntico, sem interferências externas. É fazer algo que nos faz bem ou que está de acordo com nossos valores e mundo interno.

Sendo assim, quando falamos de compromisso e mudança comportamental, é essa motivação interna que terá mais efetividade em nossos anseios e conquistas almejadas. Uma vez que a motivação externa não sustenta a manutenção de hábitos em longo prazo, pois ela por si só não corresponde ao que é visto como uma necessidade interna.

Entretanto, muito se escuta que precisamos de motivação e de entusiasmo para superar as dificuldades de um cotidiano difícil e cheio de obstáculos. Especialmente num país em crise e com poucos investimentos em educação e qualidade de vida. Como se manter motivado em tais circunstâncias?

Nesse sentido, o discurso motivacional é muito conveniente e nos faz sentirmos aliviados, pois se olharmos pelo lado positivo, é ótimo ver o quanto deixamos de aproveitar o lado bom das coisas da vida, por criar hábitos e visões de mundo negativas.

O problema maior se estabelece uma vez que isso se torna um método repetitivo em larga escala, com frases prontas, práticas distorcidas e conceitos clichês sobre desenvolvimento humano. Diriam os grandes “profetas motivacionais” que você precisa encontrar o que te faz acordar todos os dias e o que faz você trabalhar no que você trabalha.

Todavia, essa é a metade obscura dessa indústria poluída e pouco realista dos problemas e desse universo humano. Quando supervalorizamos a motivação externa e forçamos sorrisos e felicidade no trabalho, perdemos contato com a realidade mais dura que se apresenta, minimizando suas implicâncias sobre nossos resultados.

Nesse ponto crítico, se cria o seguinte cenário: todos estão motivados e buscando suas carreiras perfeitas, logo alguém que não busca isso é visto como um peixe fora do aquário. Parece um crime não estar motivado. E ao mesmo tempo, apenas cuidando de aspectos emocionais não percebemos outros fatores que influenciam nossa performance, como por exemplo nossa conexão com outras pessoas.

Note como a questão motivacional, por ser única, causa um individualismo, onde “salve-se quem puder” e “encontre sua motivação para viver”  o quanto antes para se destacar. Nesse sentido, a insegurança, a urgência e a ansiedade aparecem de forma significativa e, com isso, todos entramos nesse caos emocional em busca de um sentido para algo que não pode ser encontrado sozinho, mas sim em conexão com o mundo e com os outros a nossa volta. 

Assim encerramos esse texto, dizendo que ninguém motiva alguém por muito tempo. Viver a realidade é entender que nem só de motivação precisamos para prosperar, precisamos de preparo, qualificação, horas de voo, engajamento e, acima de tudo, tempo.

Nada acontece da noite pro dia. Se você anda desmotivado e pouco entusiasmado, não busque uma palestra motivacional, um coach de palco ou nenhum desses cursinhos generalistas. Procure você mesmo, procure ao seu redor e, acima de tudo, tenha paciência para aprender com esse momento e busque agir de forma autêntica para sair da situação em que se encontra.

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